Junte-se a nós!Se você gosta de nerdices, geek, otaku, cult e etc!

Advogando a Regra de Ouro | A Toca do Calango | Nível 5

A Toca do Calango é uma coluna semanal que dará dicas de interpretação e narração do hobby mais fantástico e ilimitado já criado: o RPG. Textos novos toda quarta-feira.

advogado-de-regras

Um dos maiores problemas enfrentados por todo RPG é aquele jogador que resolve, de uma hora pra outra, ler todo o livro de regras, anotar as melhores partes e construir o seu personagem super-mega-boga. Como se não bastasse ele também decorou todas as manobras possíveis, regras mais importantes e truques salvadores. O problema desse tipo de jogador é que ele se torna completamente tóxico, absoluto na mesa, chato pra cacete e praticamente imortal, aumentando o nível da campanha e prejudicando os outros jogadores. Sim, meus caros, nós estamos falando do Advogado de Regras e da Regra de Ouro.

O Advogado de Regras já se tornou uma figura emblemática. Se você nunca encontrou um, bem, você é um afortunado. O que sabemos dessa raça amórfica é que eles adoram criar os mais variados combos e aproveitar brechas nas regras para se manterem na campanha, tirando toda a sua própria diversão, e como se não bastasse, tirando a diversão de todos os outros jogadores (isso enquanto tira a paciência do Narrador). São de comportamento mesquinho, tem os maiores poderes (ou as melhores manobras das regras) possíveis e podem superar praticamente qualquer desafio de qualquer campanha.

Se você é um desses jogadores tóxicos, saiba que esse comportamento não é engraçado. Num mundo que os jogos eletrônicos estão cada vez mais em ênfase, trazendo tudo aquilo que alguns aspirantes a RPGistas sonhavam em ver com os próprios olhos (e não apenas imaginar), o RPG de mesa acabou sendo meio que “deixado pra depois” (mas nem sempre abandonado) pelos neófitos. Tudo o que você fizer, todas as regras que você aproveitar em benefício próprio (ou de outrem) irá pesar na campanha, tornar tudo mais chato e odioso, afastará, principalmente, os companheiros de você. Talvez você até perca seus amigos de campanha. Eu conheço alguns Advogados de Regras, combistas e tudo o que eu quero dizer pra eles é que os Narradores sérios, que prezam a diversão sobre as regras, tem a sua carta na manga: a gloriosa Regra de Ouro.

d20-regra-de-ouro

Uma das 7 maravilhas de qualquer RPG (uma delas é o 20 natural e a explosão de 10), é o Narrador que conhece todo o potencial da Regra de Ouro, que deveria ser espalhada aos quatro cantos de Neverwinter, Grayhawk, Terra Média, Tóquio e qualquer outro cenário fantasioso que você costume jogar. Alguns conhecem essa regra como a Ética da Reciprocidade, ou ainda como a Regra Áurea, que diz assim: “Não faça aos outros o que não gostariam que fizessem com você”. Claro que no RPG ela é um pouquinho diferente.

Já vimos no nível 3 quem é o Narrador, este carinha é quem detém a Regra de Ouro do RPG. Nela, os dizeres são outros, mas bem próximos do original: “O Narrador tem a última palavra”. Isso significa que o Narrador pode mudar as regras, ignorar e até criar novas, ou seja, mesmo as regras dizendo que não podem ser feitas algumas coisas, que seu personagem irá conseguir se safar do desafio, quando o Narrador disser que não, é não e ponto. Espernear não irá funcionar, nem debater, folhear o livro de regras também não pois a Regra de Ouro desfaz qualquer regra básica ou avançada dos livros em prol da diversão.

Alguns sistemas já brincaram com as suas próprias regras para mostrar que a Regra de Ouro é útil. Eles não utilizaram o mesmo nome, mas em Dungeons and Dragons 3.5 a editora (re)lançou Unearthed Arcana (nunca lançado no Brasil), que mudava ou remodelava algumas regras do livro básico para algo ligeiramente diferente ou totalmente novo. O livro é um completo “prato cheio” para novas possibilidades no sistema, provando que mudar as regras, sair daquela “zona de conforto” pode ser uma fonte para novas descobertas.

Quando a vi pela primeira vez, a regra vinha estampada no livro de Vampiro: A Máscara, da White Wolf, e convenhamos que aquele sistema era muito fraco comparado ao detalhado cenário que eles propuseram. Alguns dizem que a Regra de Ouro é um tipo de tapa-buraco para sistemas fracos ou deficientes, há também quem ache que vai além disso, criando possibilidades. Particularmente, eu acredito que a Regra de Ouro deva estar estampada em todos os livros de RPG, prezando pela diversão sobre a regra.

Lembram do Advogado de Regras que eu falei que conhecia? Pois bem. Não satisfeito com meu estilo de Narração, ele abandonou a minha campanha porque eu nerfei ou aboli várias regras que tirariam a diversão do jogo e só criariam monstros nos primeiros níveis. Ele criou a sua própria campanha, permitindo todos os bugs existentes nas regras e massacrando todas as possibilidades de diversão de seus jogadores. A boa notícia é que a campanha dele não durou 4 sessões, a má é que ele matou a minha campanha junto quando levou todos os meus jogadores na ilusão de algo melhor. Esses dias eu soube que ele tem tentado novamente a mesma campanha, com aquelas mesmas regras que eu havia condenado e, pelo que ouvi, parece que a coisa não vai muito longe outra vez.

Agora é a sua vez! Tem alguma sugestão para dar? Deixe a sua crítica ou comentário e diga o que achou de nossa coluna essa semana!

Leia mais sobre A Toca do Calango. Veja também os livros de RPG disponíveis na Amazon.