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Quem é o Mestre? | A Toca do Calango | Nível 3

A Toca do Calango é uma coluna semanal que dará dicas de interpretação e narração do hobby mais fantástico e ilimitado já criado: o RPG. Textos novos toda quarta-feira.

 

Sho'Nuff por MyRothGreenDwarf
Sho’Nuff por MyRothGreenDwarf

Se você assistia a Sessão da Tarde na década de 90 vai prontamente responder “Sho’nuff“, mas certamente deveria dizer que é Bruce Leroy, e ainda assim estaria enganado.

“Ah, mas o que é o RPG?”, você pergunta. Bem, esse tipo de pergunta o Oráculo pode responder, várias sites, blogs e fóruns tem a resposta na ponta da língua sobre isso, com direito a página na Wikipédia. Entretanto nem todos abordam o personagem principal dessa trama: o mestre.

Primeiro eu quero aqui informar que eu não sou um adepto do termo “Mestre”, pra mim o termo não encaixa na função deste jogador de RPG. Sim, o mestre também é um jogador, mas o do tipo especial. Não, o Mestre não é melhor do que ninguém, ele apenas é o responsável por contar a história do jogo, ele é quem faz a narrativa, por isso vamos chamá-lo daqui em diante de Narrador.

Dungeon Master por MoulinBleu

“Mas porque não ‘Mestre’?”, você pergunta. Calma, jovem gafanhoto! O termo “Mestre” veio diretamente de Dungeon Master (Mestre da Masmorra), do Dungeons and Dragons, o primeiro RPG. Talvez você lembre do Mestre dos Magos, do memorável desenho “Caverna do Dragão”. Pois é, ele era o Mestre da história, o Narrador, e os garotos que enfrentavam o vilão Vingador eram os jogadores da aventura. Acho que agora sua mente pirou de vez, não é? Mas ainda não acabou.

A responsabilidade do Narrador, além de contar a história, também é de dar vida aos PdMs, ou PNJs, ou ainda NPCs. Se perdeu nas siglas? PdMs é a sigla para Personagens do Mestre, PNJs é para Personagens não-Jogadores, enquanto NPCs (o termo mais usado) vem do inglês Non-Playable Characters, que no final significa a mesma coisa. Essa é a alma do jogo, claro que além dos detalhes do mundo e dos cenários. Sem os Personagens não-Jogadores os heróis não poderão ter acesso às informações necessárias para continuar a aventura.

Não podemos nos esquecer que o Narrador é o responsável por criar o mundo, explicar como cada coisa se encaixa, como tudo funciona, dar verdadeiros detalhes no melhor estilo J.R.R. Tolkien para que os jogadores se sintam “em casa” com seus personagens, fazer da aventura o seu segundo lar e ter sempre vontade de voltar lá de tempos em tempos para continuar aquela campanha que começou em uma taverna qualquer.

No fim das contas o Mestre é o gerenciador de um mundo que pode ter sido criado completamente por ele, ou pode ter sido pego emprestado de algum material já pronto. Ele é quem decide tudo ali, quem vive, quem morre, quem vence e quem perde. Se é dia, noite, clima, estação e temperatura. Se o reino é tranquilo, se a cidade é perigosa, se a política é corrupta, se os reis são honestos. Ele é como um Deus de seu próprio cenário, que terá seus próprios deuses (ou Deus), ou seria puramente apocalíptico sem deus algum para seguir.

Ah, e tem também a Regra de Ouro, lembrem-se sempre disso. Não conhece ela? Então fica para um outro dia.

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