Junte-se a nós!Se você gosta de nerdices, geek, otaku, cult e etc!

Quadrinhos em Cordel | O fim das Guerras Secretas

O Quadrinhos em Cordel é uma coluna semanal do NERDestinos exclusiva para quadrinhos. Textos novos todos os sábados.

55df04fa17355

Depois de um belo atraso, a adição de uma edição depois do início da série e uma estratégia para lá de desorganizada da Marvel, as Guerras Secretas chegaram ao fim. O império fantasioso criado por Victor Von Doom veio abaixo graças aos sobreviventes da última incursão em um encerramento repleto por traições e reviravoltas.

Na oitava e penúltima edição, vimos o início do ataque à fortaleza de Doom. Junto com a destruição do  castelo de Victor, que se concretiza com o melhor “I am Groot!” da história da Marvel, e com a morte de Ben Grimm, a imagem de Doom como um deus soberano começa a cair por terra. Susan é justamente o reflexo disso, ela começa a questionar a veracidade do discurso de Doom e seu ponto de vista se molda conforte o estado atual do Battleworld, ponto bem inteligente utilizado pelo Jonathan Hickman que passou despercebido por muita gente.

Mesmo tendo construído todo um legado, foi de extrema importância o curto confronto entre Victor e Thanos para mostrar o poder do deus do Battleworld mesmo Thanos estando sem a Manopla. Ah, e falando de Manopla… eis que surge, ao lado de Namor, T’Challa em posse da Manopla completa no último quadro criando a ponte para o capítulo final e deixando aquela água na boca dos fãs por mais um mês.

Captura de Tela 2016-01-15 às 17.28.18

Para a nossa felicidade, Guerras Secretas #9 chegou, e chegou com tudo. Nas primeiras páginas, Doom reafirma sua identidade de totalitário. Mesmo frente-a-frente com dois enormes adversários, ele ainda tenta um acordo para se manter no poder, a promessa de uma nova Atlantis para Namor e uma nova Wakanda para o Pantera dentro do Battleworld como se ambos fossem corruptíveis a esse ponto.

A verdade é que a treta Pantera e Namor vs. Doom era apenas uma distração para fazer Reed Richards ganhar tempo. Após reencontrar Susan e Valeria, o Senhor Fantástico assume para si o cargo de consertar os erros de Doom e dar um jeito no Battleworld (dá para ver que não é difícil criar um background decente para um confronto Reed vs. Doom, querida Fox?). Ele e sua versão da Terra-1610 enfim encontram Owen, o Molecular Man, a fonte de todo o poder de Victor.

Captura de Tela 2016-01-15 às 17.31.25
“Acho que eu pediria desculpas por essa traição. Mas eu vi você quase começar a chorar lá em cima com aquela mulher que não é sua esposa, e eu simplesmente não pude tolerar esse tipo de fraqueza.”

A traição do Maker foi um ponto um pouco confuso de início mas totalmente compreensível a medida em que sua atitude foi justificada. Estava claro que Reed havia ficado abalado com o reencontro com Susan e Valeria, e Maker acreditava que isso era uma fraqueza, uma tentativa de revisitar um passado que já não deveria mais fazer parte da trajetória de Reed, porém com seu discurso acabou literalmente juntando a fome com a vontade de comer de Owen que deu um fim ao Maker, salvando o Richards original.

Em sua ânsia pelo poder, Doom deixa Susan e Valeria – dois de seus principais alicerces no Battleworld – e vai de encontro a Owen e Reed. O que se vê a partir daí é, acima de tudo, uma obra de arte que balanceia perfeitamente diálogos e ação. Doom e Reed sempre tiveram suas desavenças mas dessa vez a luta não é apenas por interesses pessoais e sim pelo futuro do Multiverso.

Captura de Tela 2016-01-15 às 17.24.06
“Você roubou a minha família.”

O artista Esad Ribic adotou para Guerras Secretas um conjunto de traços e cores que criam uma imensidão ao Battleworld, porém nesse conflito final o mais interessante é que como Doom e Reed estão na presença do Molecular Man, o plano de fundo é chapado e incolor, o que acaba tornando a luta ainda mais emblemática. Não há ambientes para serem destruídos, objetos ao redor para serem utilizados, a batalha se baseia simplesmente nos dois.

Reed Richards enfatiza o que Doom fez com sua família e de forma genial leva a discussão de volta para a rixa entre os dois fazendo com que Doom admita que Reed administraria o Battleworld melhor do que ele. Era justamente o que Owen precisava. E assim se deu o fim do império de Victor.

Captura de Tela 2016-01-15 às 16.56.36

O fim da edição #9 traz pistas do futuro de alguns personagens da Casa das Ideias, como Peter Parker, Miles Morales, T’Challa e claro, o Quarteto Fantástico. Como estamos carecas de saber, a nova fase All-New All-Different Marvel não traz revistas relacionadas ao Quarteto. Alguns diziam ser um boicote aos filmes da Fox – o que não tem lógica se lembrarmos do Deadpool – porém depois dessa última edição ficou bastante claro por que o Quarteto não vai pintar no lineup por um bom tempo.

Já Victor Von Doom permanece na ativa. O vilão deu as caras já em Invincible Iron Man #1, nova mensal do Homem de Ferro que saiu antes do fim de Guerras Secretas, ou seja, já deixou na cara que o Doom não morreria no Battleworld. Com o afastamento do Quarteto, vai ser interessante acompanhar os passos de Victor infortunando a vida de outros heróis e tendo um possível envolvimento em outras grandes histórias da Marvel em 2016 que citamos aqui.

Captura de Tela 2016-01-15 às 17.23.28
“Tudo vive.”

Triste por uma geração que sempre vai achar o Doom um vilão fraco porque só se deu o trabalho de ir ao cinema. Triste por saber que não teremos um megaevento tão bom na Marvel por um bom tempo.